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19 julho 2010

Meu Aparelho, Meu Namorado.

Notei que nunca mencionei aqui como é minha relação amorosa com meu aparelho auditivo que nunca teve um nome, apenas o chamo de aparelho! E olha que esse aí tem cada história, afinal não só ele, todos os meus 3 aparelhos e hoje uso o 4°.

Logo que tive alta no hospital, só se passaram 2 meses que fui pra Belém, e neste lugar passei um bom tempo fazendo todos os exames para detectar o grau da perda auditiva e adquirir o laudo médico para o uso do aparelho auditivo AASS, e tive logo que me adaptar, por recomendação médica, para que eu não perdesse a fala e praticasse fono para ter uma noção melhor dos sons produzidos.

Então foi com 4 anos que o tive pela primeira vez e nunca considerei isso estranho e nem reparava alguém me olhando com aquela coisa grande na minha miúda orelha, e ainda não sabia colocar o aparelho, era a mamãe ou o papai que colocavam pra mim, sempre segurando a minha cabeça quase encostando no ombro e também, inevitavelmente, sacudindo total o crânio para encaixar aquela prótese de borracha (que era feito na época) no ouvido interno e eu saia tontinha pela casa inteira rsrsrsrs.

Hoje, como falei, uso o 4.° aparelho auditivo no qual recuso falar sua marca com medo de sofrer processo de algum fabricante já que não tenho a autorização #medo. Mas não posso deixar de colocar aqui, que todos os meus aparelhos sempre foram da cor bege e os obtive graças à ajuda financeira da minha Vô Nely que faleceu eu 2006, no qual devo meu amor e imensa gratidão pela sua existência, no início desse ano ganhei o mais novo atual e mega aparelho auditivo digital que anda me trazendo aquelas maravilhas que antes não experimentara, da minha tia Ângela que é filha da minha vô Nely e irmã do meu pai onde reside em Minas Gerais, Barbacena, se quiserem ter um é só falar com ela (brincadeira hauhauhua). (Amo você Tia)

Achei maravilhosa essa nova tecnologia digital, minha voz ficou mais clara, consigo identificar melhor os sons e olhar na direção certa de os barulhos estão vindo e, melhor ainda, consigo pegar um bom som de uma música, é ótimo pra música, fiquei felizona com isso! Ainda tenho o 3° guardado, porém não o uso porque esse digital superou o coitado, mas deixa o menino descansar, foram 7 anos usando o  3°! Apesar da tecnologia, esse aparelho não tem liga e desliga, por isso tenho que sempre levar o estojo do par de aparelhos na bolsa, isso é irritante, porque tem dias que não dá pra agüentar a “encheção” de saco dos barulhos patrulhando no meu ouvido e não tem como desligar e tenho que tirar da orelha e ainda por cima tirar a pilha porque fica apitando e todo mundo pergunta “QUE BARULHO DOIDO É ESSE??”.

E devido ao meu tipo de perda auditiva, consigo captar sons como carro, buzina, latido, alguma música tocando, tipo de estilo de música, alguém gritando (especialmente argh) e é difícil, mas até consigo, se eu prestar muita atenção: canto de passarinho! Mas fonemas, como palavras são pronunciadas não consigo, afinal, tive uma perda bem na periferia do meu cérebro que danificou o nervo auditivo e acreditem, nem esse digital faz milagre, mas que ajuda, ajuda!

Quando tinha 11 anos eu odiava andar de aparelho auditivo, era todo mundo reparando e perguntando e eu tinha uns chiliques e choros que cheguei até a pedir pra mamãe pra comprar aqueles aparelhos que fica no ouvido interno! Como na imagem ao lado, assim ficava em paz comigo mesma! ¬¬ Mas tu mesmo gabii!

Hoje ando com ele na boa, sempre vou com ele pra universidade e qualquer lugar, mas tem dias que não dá, prefiro deixar meu namorado em casa mesmo, mas vou te falar, ele é chato tem hora, fica toda hora falando no meu ouvido assim não dá meu!

Quem mais pergunta o que é isso na minha orelha são as crianças de 1 a 9 anos, e eu sempre tento explicar pra elas da melhor maneira possível para que entendam, entre elas:
·       
         Tenho um problema no ouvido e tenho que usar!  
         Meu ouvido não funciona por isso uso! Rsrsrs
         Tenho dodói no ouvido e uso isso! 
             Eu não escuto direito!

É tantas, a última peça que perguntou o que era isso na minha orelha foi meu primo de 3 anos, uma graça, o menino entendeu tudo e até falou: tu não escuta e eu “é, não escuto!

O fato de perguntarem tanto é que acham que na minha orelha mora um brinquedo e aposto que elas tem vontade de usar também e tem uns que querem tocar no coitado toda hora e já teve um diabinho que tentou tirar o menino quase levando junto a minha orelha. Rsrsrs

E teve uma vez que fui tomar banho e quando dei por mim tava com o seu Zé, e saí desesperada do banho e tirei da orelha e fiquei sobrando, ligando e desligando pra ver se ainda funcionava! Ontem (18 de julho) estava na casa do meu namorado e resolvemos tomar banho de piscina e fui me trocar e chegando lá ia me preparando pra dá aqueles pulo ai o Alielton me parou e falou “Tirou teu aparelho?” e eu “Claro seu doido!”, ele começou a rir, porque sabe que sou meio esquecida nas coisas, depois disse “Mas a piscina é muito rasa pra esse pulo que tu queres da!”. Ta bom amor!!

Gente, tenho mais, mas guardarei para caprichar meu Blog certo! Até!

08 julho 2010

Experiências Diárias

Como vocês sabem, pra quem já leu todo meu Blog (sei que a maioria tem um baita preguiça de ler, mas tudo bem!), no meu dia a dia sempre estou surpreendendo a todos e a mim mesma, é claro!

Antes eu morria de vergonha (até os meus 17 anos), de chegar num lugar para comprar algo, pedir uma informação ou dá informação a desconhecidos, por simplesmente, inutilmente, ter vergonha da minha voz e fala (pensa né!), toda vez que falava achavam que eu era estrangeira ou não entendiam nada, e admito que isso me irritava e muito, já cheguei em casa aos choros por causa disso!

É claro que até hoje isso acontece mas minha reação é diferente! Semana passada, eu tinha acabado de sair da academia e minha mãe foi me buscar e tínhamos que fazer umas comprinhas como álcool, papel higiênico (que estava em grande falta em casa, rs), ração para minha poodle Melissa e cenoura para minha Hamster Bolota, e pra comprar tudo isso tive que parar em 3 Mini Box e para vocês derem uma idéias, nos 2 comércios que fui, uma pessoa em cada se estranho com minha cara! hauha

No comércio que fui comprar ração eu perguntei se tinha saco da ração pedigree e o cara não entendeu, perguntei de novo, mas quem entendeu foi outro cara que tava no lado desse, e o cara que não entendeu estava prestes pra rir e eu fiquei séria e encarei fixamente ele e pensei: tas pensando que és o que? Na hora, o cara fico sério e ignorei ele e dei atenção ao cara que foi educado comigo! E como não tinha o saco tive que levar um quilo.

Voltei pro carro e a mamãe me lembrou que eu tinha esquecido de comprar cenoura e fomos parar mais a frente em outro Mini Box. Fui lá e perguntei e tinha e pra minha surpresa, tinha um garotinho cara de pau de bicicleta atrás de mim que resolvei ir na minha frente pra ver  a minha cara e encarar porque eu falava daquele jeito e por estar usando aparelho auditivo, juro pra vocês, o menino fico me encarando e nessa vez eu tive que me segurar pra não rir! hauha

Entrando no carro a mamãe reparou que o menino ficava me encarando e eu disse:

___ Hi Mãe to até acostumada já!

e Mamãe:

___ Que bom minha filha, porque se ligarmos pra isso toda vez que acontece a gente fica doida!

Mas e num é gente? hehehehe

Nunca levem a sério a fato de você ter uma limitação física, encarem e se estranharem, ignorem! :) 


Desculpe os erros de português acima, li de novo e vi uns ai ai ai hauha

18 junho 2010

Uma crítica a um artigo sobre os Surdos Oralizados

No início de Maio estava procurando algum artigo que debatesse idéias sobre as diferenças entre surdos sinalizados e surdos oralizados, procurei durante horas a fio e me deparei com um artigo que me deixo um tanto, mas tanto assustada, da maneira como a pesquisadora colocou que chega a passar uma mensagem de forma preconceituosa e sem o mínimo de conhecimento de forma abrangente. O nome é:

 A Educação Inclusiva e os Diversos Olhares de Flaviane Reis ela é Pedagoga, Diretora Administrativa da FENEIS, Mestranda em Educação na linha de pesquisa: Educação e Processo Inclusivo pela UFSC.

 Aqui vou colocar alguns trechos que considerei equivocados demais pra nossa realidade:
Ela começa bem legal e coerente como aqui:

Os estudos com relação a essa área de educação de surdos foram marcados por transformações no que se refere á educação que nós queremos, modo de cultura, estudos, metodologia educacional de surdos, pesquisa educacional, busca de uma identidade, construir a sua história-cultural, construir uma intercultural entre a relação de surdos e ouvintes numa escola inclusiva, além de tudo, formar os professores surdos.

Depois começa a falar mais especificamente dos Surdos Oralizados:

Com a relação dos surdos que usam o oralismo, do ponto de vista, é uma ideologia dominante, porém é o desejo de ouvir que está acompanhando o modelo ouvinte devido da influência da sociedade. Mantendo a ideologia dominante.

Minhas Palavras: Ideologia dominante? Como assim moça? Ideologia porque a maioria da população é ouvinte e os que nascem surdo também querem ouvir, mas é claro que queremos ouvir! É claro, porque afinal, ninguém quer ficar surdo e eu nunca desejo a  alguém ser surdo, é uma etapa difícil na vida de um surdo, mas a força de vontade evoluiu os surdos oralizados, o fato de falarmos é uma adaptação evolutiva, um meio de sobreviver, a sociedade influencia sim, mas não de forma ideológica dominante, e sim, ela nos dá a ferramenta de enriquecimento para falarmos pois precisamos sobreviver, mas aqueles, como eu que nunca poderão ouvir, conquistamos nosso lugar na sociedade sendo surdos oralizados e temos a plena e clara consciência de que nunca poderemos ouvir, portanto a ideologia dominante perde seu lugar e passa a ser a ideologia do direito de ser feliz e construirmos uma vida normal.

Continuação da pesquisadora:

O que percebo nos surdos oralizados apresenta o sujeito surdo não podia reconhecer somo surdo, mas sim como não normal, era veste e obrigado a se ver a partir da perspectiva do que ele não podia fazer, e qualquer tentativa de formação de identidade cultural era abolida como uma tentativa de formação de guetos e segregação. É claro que alguns surdos conseguiram sobreviver a toda essa relação de poder, e, no entanto isso se deu através de um processo constante de negação da tentativa de rotulação etnocêntrica.


 Isso que você colocou sobre o sujeito surdo oralizado não reconhecer como surdo, é uma realidade tão primitiva quanto na era das cavernas ou até bem antes da origem dos Homo sapiens, mas falando sério, pode ter sido aplicada até no século 19, mas hoje em dia não se aplica mais, surdo oralizado (graças a estudiosos compreensíveis) se reconhecem como um surdo, onde seu ouvido passou pro problemas médicos graves e congênitos que originou vários graus de surdez, mas simplesmente somos oralizados porque é a melhor maneira de comunicação, no nosso ponto de vista. Infelizmente, antigamente, a tentativa de formação cultural foi abolida para todos os tipos de enfermidades físicas. Aqueles que conseguiram sobreviver nunca falavam que eram surdos, lembra do compositor Beethoven? Ele fez de tudo pra esconder sua deficiência com medo de perder o posto na música clássica, e ele falava, mas isso não foi nada bom pra ele, até que ele aceitou a realidade e fez mais sucesso do que nunca, continuando, aqueles que sobreviveram nunca falavam que eram surdos, mentiam! E nós surdos oralizados nunca fazemos isso, deixamos claro que temos uma deficiência auditiva.

Outra colocação:

Tudo isso, a ideologia dominante, os ouvintes usou a sua transição com os efeitos que desejava, com a influência da medicina, área de saúde, pais e familiares de surdos, dos professores daqueles surdos representam hoje, e que trata de um conjunto de representações dos ouvintes, e que devem olhar-se e narrar-se como se fosse ouvinte. Portanto, destacamos nas palavras que está comparando em relação dos surdos oralizados

Nossa moça, viver como se fosse ouvinte por causa da medicina e área de saúde e até pais e familiares, sinceramente, mas nesse ponto há uma equivocação muito óbvia, no início pode ter sido assim, como expliquei acima, mas hoje em dia, surdos oralizados não é sinônimo de se passar por ouvinte...

Continuação abaixo!

05 abril 2010

Falta de Acessibilidade na Televisão Brasileira

Gente, que absurdo! Pra quê tanto dinheiro gasto em Tecnologia se 90% dos programas brasileiros, seja ele ao vivo ou gravado não apresenta o famoso recurso chamado de CLOSED CAPTION??


Me lembro no dia que ele foi lançado senti que o mundo estava aos meus pés, eu podia saber de tudo o que estava acontecendo no mundo! Informação é mais que necessária, é obrigatória! Mas depois vi que nem todos os programas apresentam esse recurso!


 Seja em Filmes que passa na Globo, nas novelas, e olha que nem todas as novelas da Globo tem Legenda hein? E em alguns programas de fofoquinha e entre outros, o Programa do Luciano Huck não tem, vê se pode? O do faustão nem! da Xuxa e nem da Angêlica e alguns programas da Record e Band, bate a minha vontade de assistir e quando to sozinha fico perdida porque fazer leitura labial com as imagens mudando a cada um segundo, paciência né? E quando to assistindo acompanhada tenho que ficar perguntando toda hora o que a bosta do fulano falo!


E eu nem consigo ver CQC, um ótimo programa que prega o valor da cidadania, que critica político ali, acolá e por ai vai, mas sim, se é uma informação humorística de senso crítico que critica tanto mas cadê a ACESSIBILIDADE? Será que diretores, produtores da MAIORIA desses programas sem CLOSED CAPTION não pensem no todo? Que não existe só o público "normal" que assiste a esses programas? Cadê o meu direito como CIDADÃ pra adquirir a maioria das informações para poder construir meu senso crítico, direito a dar opinião, debater e pensar? 


Uma vez fiquei pensando por que será que nem todo programa tem? Será que o problema é aqui no meu Estado? Será que algo está errado fazendo com que a legenda não chegue?? Penso sempre nessa possibilidade, porque todo ano, a sorte que esse ano não aconteceu, o closed caption parava de funcionar quando acabava o horário de verão, acreditam nisso? E eu perdia uma monte de jornal e minhas novelas preferidas! Ficava mais que mordida e começava a gritar: Mãiehhhhhh a legenda não ta funcionando! Liga logo lá pra merda da emissora daqui de Macapá mesmo pra eles colocarem a legenda senão vai rolar o procon no meio disso tudo!! E a mamãe respondia: Mas ahh de novo?? Vo ligar já já e encher a paciência deles...sempre é assim todo ano, menos nesse, mas a legenda só voltava no próximo horário de verão...ai que ódio!


Paciência, hoje no Twitter eu falei tanto do CQC que ia mandar um monte de e-mail protestando, huahauhua e mandei e vamo ver no que vai da!


Pra quem não sabe o que é Closed Caption, ai vai:


Segundo o site Soluções em Acessibilidade existe três tipos de Closed Caption



O CC Online

O closed caption online ou legenda oculta em tempo real é uma ferramenta utilizada para transcrever sob a forma de legendas os diversos tipos de transmissões ao vivo, como telejornais, programas de auditório, programas ou eventos esportivos etc. O registro do áudio dos programas em legendas é possível por meio de 2 modelos de tecnologia: por estenotipia ou por software de reconhecimento de voz.
Na estenotipia, a transcrição é feita por meio do uso de códigos e da combinação de teclas. Essa tecnologia faz uso do Estenótipo, equipamento para a transcrição de textos que exige a prática de profissionais qualificados e treinados para seu manejo.
Por meio de um software, o recurso de reconhecimento de voz interpreta a voz do narrador e produz o texto que, em seguida, é exibido no formato de legendas.
O CPL, através de um projeto apoiado e financiado pela FAPERJ, FINEP e MCT, está desenvolvendo um software nacional de closed caption online que fará uso de um moderno sistema de reconhecimento de voz plenamente adaptado à língua portuguesa

O CC Offline

O closed caption offline – legenda oculta pós-produzida – 
é utilizado em programas gravados, como filmes, novelas, 
documentários, seriados, comerciais etc. Para a sua produção, 
o CPL utiliza duas soluções de softwares de alta qualidade 
do mercado internacional.

O closed caption offline exerce a função do áudio do programa, transcrevendo as informações literais e não literais, como latidos, trovoadas, música, rangidos, gargalhadas etc. Outros recursos informativos que operam como facilitadores para a compreensão da comunicação por pessoas com deficiência auditiva também são aplicados, por exemplo, utilizando colchetes nas legendas posicionadas acima do falante, como forma de assegurar ao usuário quem é o locutor da mensagem quando a cena não permite ou dificulta esse reconhecimento e ainda por existir mais de um falante em cena; o uso de legendas múltiplas para otimização de tempo de leitura; o trabalho com edição de texto como meio de obter um resultado ágil e eficiente.
Todos esses recursos foram desenvolvidos e aprovados por seus usuários com a intenção de facilitar e permitir a mais perfeita compreensão do programa.

O CC Offbox








Com a aquisição de um novo software de legendas, testado em suas diversas aplicações e interfaces, o CPL desenvolveu o closed caption offbox – o closed caption offline para uso exclusivo em DVD e sem a tradicional tarja preta.


Esse recurso foi utilizado nos 60 filmes do Projeto Videoteca 2ª Edição: mostra de filmes nacionais para pessoas surdas ou com deficiência auditiva. Na ocasião, recebeu excelente crítica por parte deste público.
Temos o direito de obter nosso direito, tecnologia hoje em dia é feita como a Água, e pra isso serve que ajude a melhorar a acessibilidade, não custa nada tentar afinal vai aumentar a audiência de um monte de programa ai! HAUHAUHUA
Obrigada!!

31 março 2010

Gente que saudade!!


Meu deus! Olha essa minha roupa de "bióloga"! Nesse dia eu falei pra galera que tava pronta pra cortar cana! hauahuaha


Isso não quer dizer que eu larguei meu Blog, ainda estou aqui.
A minha ausência por aqui é que eu comecei o meu segundo experimento, eu não falei ainda pra vocês?




Pois é, eu sou bolsista do Cnpq pela Unifap, faço um estudo de ocorrência de Parasitóides de Dípteros na entomologia Forense, comecei a bolsa no ano passado em Setembro e termino esse ano em Setembro, o meu estudo é voltado para a biologia, taxonomia e sua ocorrência em cada fase de decomposição,  aqui em Macapá quase não tem um estudo voltado a esse indivíduo, por isso escolhi trabalhar com eles porque está sendo desafiante e maravilhoso. Minha equipe faz coleta diariamente desde dia 9 de março, até nos dias de sábado e domingo e fico acabada e ainda estamos fazendo coleta!! Depois disso temos que fazer as triagens dos indivíduos por ordem, fora isso tem que estudar, pesquisar e não para por ai!

Então eu acabo colocando o meu Blog em segundo lugar, afinal, esse é meu último ano como universitária e no fim de ano apresento TCC e minha defesa da conclusão da bolsa do CNPQ. Tenho aqueles frios na barriga, mas prefiro não pensar muito, vou continuar levando e fazendo o que tenho que fazer! 

É isso gente, é difícil fazer as duas coisas, porque quero que as duas coisas saiam muito bem e tenho medo de postar muito rápido no Blog pra não sair todo "torto" entendem?? hehehe Obrigada pela paciência!!
Aqui vai uma foto de um Parasitóide para vocês!


ENFIM:
FELIZ PÁSCOA E BOM FERIADÃO, APROVEITEM! 


Relembrando e tentando voltar ao Ritmo!

Estou aqui vendo qual história conto a vocês da minha vida!

Pensando.....





Ah! Me lembrei!

Um dia desse eu estava conversando com a mamãe depois que a novela viver a vida tinha acabado de passar aqueles depoimentos reais da luta das pessoas pra viver e nesse dia estava uma mãe falando sobre a filha dela que tinha paralisia cerebral e ela lutou para que sua filha fosse aceita na escola normal, ela disse que a escola não queria aceitar mas ela insistiu até que aceitaram a sua filha

Minha mãe comentou que ela nunca insistiu nas escolas que não me queria, ela ficava péssima, como se fosse o fim do mundo, os funcionários inventando desculpas que não tinha vaga para mim, ela simplesmente ia atrás de outra escola. Foram três escolas que não me aceitaram, posso falar os nomes? Vou dizer porque isso é passado: Sesi, Santa Mônica e o trem da Alegria que hoje é chamada de moderno, inclusive, eu estudei no moderno no segundo e terceiro ano, minha mãe foi me contar só depois que na primeira fez que ela foi atrás eles não me aceitaram, hiiiii.

A única que me aceitou de primeira sem questionar foi o Cedap, na qual estudei até o primeiro ano.

Uma vez, quando estava na primeira série, na hora do recreio tinha duas meninas da terceira série que não iam com minha cara, não sei por que, mas sem querer me gabar, acho que eu era linda demais pra elas, uma menina loirinha, branquinha e tudo mais rsrsrsrsrs!

Um dia eu tava brincando e um delas veio na minha direção, vocês acreditam que eu lembro o nome dela?? E acreditam que era Gabriela também???? Que coisa eu hein!!

Ela veio na minha direção e ficou na minha frente, ela me disse que eu era loira burra e me deu um tapa na cara! Sério, levei um tapa na cara de uma menina que mal conhecia com apenas 8 anos de idade! Eu não fiz nada e nem me lembro de ter chorado, mas resolvi contar para minha professora.

Me lembro que fiquei pensando como eu ia me vingar dessa garota....

E um dia, foi na hora da saída, eu fui atrás dela e dei um puxão no cabelo dela pra trás, olha a minha covardia: ela estava de costas para mim e foi pega de surpresa rsrsrsrsrsrsrsrs!

Não me lembro se foi antes do puxão de cabelo ou depois que minha professora me pediu para ir à sala dela e mostrar quem tinha me dado um tapa, mas eu me vinguei isso sim, oh menina invejosa! Hauhauhauhua

Em 2009 eu vi essa menina na Unifap passando no meu lado, ela tinha acabado de entrar na Unifap esse ano enquanto eu já estava desde 2007, e olha que ela na época do infeliz incidente ela estava na terceira série e eu na primeira série...

08 março 2010

Mulher em Destaque

No meu caderno de alfabetização tinha uma foto da Mamãe, que lindo né? heheh


Um exemplo de mulher que deve ser seguido é: Minha Mãe.

Tal mulher passou por todas as adversidades e maiores barreiras.

Lutou pelo melhor de suas filhas.

Acima de tudo, nunca perdeu a esperança ao saber que uma de suas filhas ficou surda.

A primeira coisa que ela pensou foi:

Minha filha vai ter um futuro bom e uma vida perfeitamente normal.

Claro que veio aquele momento de desespero, afinal, mulher é dotada de emoções.

Mas depois veio um sentimento fortalecedor que foi: acreditar, dá amor, atenção, honestidade, generosidade e humildade e saber enfrentar as dificuldades da vida.

Tudo que sou hoje é graças a minha Mãe.

Uma mulher que sempre pensa em unidade, que mostra um pulso de  solidariedade, que exclui o egoísmo, a traição, a mentira do caminho dela.

Que pensa por todos, que o mundo não gira ao redor de nosso umbigo, que tudo que fizemos influencia, cedo ou tarde, na vida de outrem.

Por apresentar essa garra muito forte, passam a confundi-la como uma mulher autoritária e tradicional, mas na verdade é a mensagem de uma mulher verdadeira, que procura que suas filhas tenham caráter e princípios, respeito ao próximo e a si mesmo, e essa atitude pra ela, nunca foi de tempos antigos, é essência do ser humano e utilizo minhas palavras: está na fita do nosso DNA.

Graças a ela, que me ensinou que sendo surda, não significa que sou incapaz e excluída, apenas tenho que me esforçar mais que o necessário até minha vida se estabilizar, que tenho que lutar pela minha vida, minhas conquistas e acima de tudo ser uma pessoa melhor.

Tenho até quase os mesmos defeitos dela quando ela era jovem, hoje ela amadureceu, é claro,e eu ainda estou na jornada de me tornar um dia uma grande mulher.

E espero sinceramente, ser a mulher que minha Mãe é, e com mais um pouco de mim mesma.

A ambição é o puro senso de dever pois a si só não produz frutos realmente importantes para a pessoa humana, pelo contrario os frutos verdadeiros derivam do amor e da dedicação para com as pessoas e as coisas.


Feliz dia das Mulheres!

26 fevereiro 2010

Coisas Inexplicavelmente irritantes.

Sabe aquela sensação de como você é tratado por aqueles de uma forma totalmente irritante e até inexplicável.

Quando alguém me vê pela primeira vez, eles pensam que eu sou ingênua, coitadinha, boazinha, educadinha, delicadazinha... Não se enganem!

Eu sou capaz sim, na cara de pau de fazer tudo isso acima só pra enganar, mas sinceramente, não consigo! É perda de tempo e experiência!

Uma coisa que me deixa p.. da vida é quando alguém chega comigo falando em linguagem de sinais e começam a falar meio que rasgando a boca pra mim, pelo amor de Deus também não é assim não...

É quando uma pessoa chega comigo e começa a me tratar como se eu fosse uma criança de 2 anos, dá vontade de dizer bem alto e estupidamente claro: Alôooooo! Tenho 22 anos! Tenho um corpo são e mente sã!!!

E teve até gente que me perguntou: mas você pode dirigir? Mas como?? Imaginem a minha cara....

E outra, é muito difícil, mas muito difícil alguém querer me fazer mal, porque eles tem pena, pois já sofri demais na vida, que nada!! Ainda tenho muito que viver hauahuahua. Não to brincando, as coisas ruins que aconteceram comigo foi quando eu estava na primeira série, umas meninas não foram com a minha cara. 
Depois conto essa historia. As pessoas que mais brigam comigo, como sempre, é minha família e meus grandes amigos e meu namorado, eles não tem papa na língua comigo não hein! Falam o que tem que falar quando estou errada e eu também perco a cabeça com eles! Tem que ser assim! E eu também erro muito com as pessoas e às vezes é bem feio.

Uma vez minha mãe foi num mercado pertinho da minha casa, e chegando ao caixa a dona do local perguntou: eu vi sua filha com o namorado dela, ele também é surdo?

O QUÊ?? PAUSA AIIIIII!

Que isso minha querida, minha mãe levou um susto e disse: não senhora, ele escuta muito bem! Ah! Se eu tivesse lá, mas eu não faço nada huahauhaua.

E tem outra, não vou dizer quem é, mas se ela ler isso com certeza vai se identificar: eu sempre vou, às vezes, na casa dela junto com a mamãe, e ela me perturba falando que tem um pastor  que vai me fazer voltar a ouvir, porque ele já fez várias pessoas voltarem a ouvir que é pra mim ir lá rezar e orar, que vai me fazer voltar a ouvir! Já repeti que ele vai me fazer voltar a ouvir se eu for lá?

Desculpe se ofendi alguém que acredita nisso, mas pra mim milagre só quem faz é Deus, não dessa forma material, não existe milagre material, só exclusivamente espiritual. Ela fala pra mim como se eu sofresse absurdamente por ser surda, que chega a ser uma ofensa.

Mais respeito pelos surdos oralizados,  é pra isso que existe a INFORMAÇÃO, por isso meu objetivo do Blog é esse, informar e esclarecer pra acabar com os estereótipos acerca de nós.

Cabra Cega




Uma vez resolvi brincar de Cabra cega! RS

Nessa época eu morava em Macapá, mas sempre ia aos feriados, fins de semana passar um tempo em Porto Grande na minha casa que era de alvenaria, mas ainda não era pintada.

E sempre ia toda a família, inclusive meus primos, na faixa de etária de 4 a 14 anos.

E num dias desses resolvemos brincar de Cabra cega!

E começamos a nos organizar e foi:

Minha prima Rafaela foi mãe..menos eu
Meu primo Marcel foi mãe..menos eu
Minha irmã foi mãe..menos eu
Minha prima Maíra foi mãe..menos eu!!

Isso porque ninguém conseguia me pegar! Hauahua

E esses primos começaras a reclamar que eu ainda não tinha sido mãe! E falaram que era a minha vez!

E eu na boa, falei que ia ser! Ai lá foi, pegaram um pano e colocaram nos meus olhos e amarraram bem forte!

E meu rodaram, rodaram e rodaram e eu comecei a contar: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8......

Peeeennsa e Imagiiiigem!

Eu tava surda e cega nesse dia, mas isso nem passo pela minha cabeça, eu me sentia perfeitamente normal 
nesse dia! E os meus primos também, acharam aquilo uma coisa como outra qualquer! Graças a Deus né??

Depois de contar comecei a procurar cegamente, e nada! Procurava e nada, por todo o canto infinitamente e nada! E os desgraçados ficavam me dando umas cutucadas!!

Mas continuava a minha caçada pela minha casa com as mãos que nem uma múmia (sabem né?) Mas nada! 
Até que fui andando e andando e resolvi virar........................................................................ Dei uma cabeçada na parede de casa, e toquei minha cabeça e fui olhar e tava só sangue!! Pronto, bem feito pros meus primos e resolveram chamar o papai e a mamãe! Hauahuahua

E eles tiraram o pano e me levaram pro pronto socorro, e eu nadinha de chorar, e fui lá na boa e levei três pontos! Hauahuahua

É eu não tinha equilíbrio ainda, e os meus olhos servem até hoje pra me manter em equilíbrio! Pensem, eu criancinha sem escutar nada e ver nada nessa brincadeira de boa vontade que meus primos me colocaram! Hauahuahua

13 fevereiro 2010

Falando em Balé



É gente, aqui eu de novo em Pleno Carnaval, amo Carnaval, se eu pudesse eu dava um giro por Salvador, Rio de Janeiro, Recife, Olinda e qualquer cidade de puro carnaval!

Como eu disse, amo dançar desde pequenina.

Mas minha paixão mesmo por dança começou quando eu tinha 11 anos.

Na minha escola Cei começava uma nova aula, e a aula era de dança de todo o tipo, e foi uma galera nessa onda, só meninas, é claro.

Minha professora se chamava de Lívia, era gente fina só, e começou a dar aula básica de balé pra gente e eu adorei, não faltava em nenhuma aula!!

Fui dançando e dançando e pegando o jeito e um dia a professora disse que tinha um teste para ganhar bolsa num estúdio de Balé da irmã dela que se chamava de Rose, e o nome do estúdio era Studio Rose.

Todas as minhas amigas se inscreveram e, inclusive eu, é claro. Não demorou muito para sermos chamadas para fazermos o teste. Passou um tempo e chegou a hora do teste e era assim: tínhamos que fazer os passos básicos do balé que aprendemos com a professora Lívia e tínhamos que dançar um pouco também.

Eu fiz lá a minha parte! Fui dançando o que tinha aprendido, fui dando uma enrolada lá pra agradar a coreógrafa Rose! RSRSRSRS

Nessa fez demoro pra sair o resultado! E era a professora Lívia que ficou responsável para a divulgação final! Adivinha? Eu entreiiii!! Eu e mais 3 amigas minhas!

Eu fiquei tão feliz, nem imagina, meu sonho era dançar Balé.

Eu me esforcei muito nesse estúdio, sempre fui chamada pra fazer parte das apresentações, no total eu já fiz várias, acho que mais de 20 apresentações, contando com as apresentações que a professora Lívia me chamava para fazer nas comemorações de datas especiais da Escola, foram tantas que perdi a conta.

De tanto que eu me esforçava no Studio Rose, eu fui logo aceita pra fazer parte da Companhia Principal do Balé, ou seja, aumentei de nível, pois já podia fazer o uso da sapatilha de Ponta e dançar com os melhores dançarinos do Studio Rose. Participei de duas apresentações de Balé Clássico chamado de Flocos de Neve e o Balé clássico famoso chamado Gisele, e participei de um balé contemporâneo bem organizado pela coreógrafa Rose chamada de a Lenda do Boto, essa dança foi uma tanto cansativa, nós ensaiávamos na lama do Rio Amazonas todos os dias! E nossa apresentação foi linda, aquela coreografia bem fogosa na lama! E fiz mais outras danças por ai, não to bem lembrada.

Eu era considera uma das melhores, vou dizer aqui o que me diziam na época: você tem um charme na dança, uma simpatia e facilidade de fazer um giro mesmo não escutando nada. Isso mesmo eu era a única bailarina surda no Studio e fui bem aceita graças a minha força de vontade em querer dançar e o fato de eu ter um problema no equilíbrio, mas eu fazia de tudo pra não perder o equilíbrio.

Na escola eu era conhecida como a bailarina, porque eu fazia todas as apresentações, e sempre participava do desfile de miss caipira e ganhava todos hushuhauhauha, inclusive, ganhei o último título de miss caipira simpatia na minha universidade huahauhua!

Eu coreografei na escola as minhas próprias danças, e escolhia minhas próprias músicas. O meu método era assim: eu colocava o som e sentia a vibração e começava a contar até começar a música, e depois ia pra área pra começar a dançar, então eu começava a dançar através da contagem que senti na vibração que a música tinha começado a tocar a fundo (vocês entenderam ? hauhauhua, to tentando explicar aqui!).

 Eu queria fazer a risca, queria dançar de acordo com a música mesmo não ouvindo as pausas e ritmos nitidamente, por isso o aparelho auditivo sempre me ajudou muito nisso, tinha alguns sons que eu conseguia escutar, mas eu tinha que ficar um tempão ouvindo atéee entender. Era difícil, porque eu repetia isso umas milésimas vezes até ficar perfeito tanto na dança e seguindo a música. Isso mesmo era dançar no silencio, porque era tudo contagem, voltava a sentir o som e contava quando tempo levava depois dançava contanto na cabeça, era mais ou menos assim.

 Minha irmã sempre me ajudou nisso, ela me dava um sinal quando a música começava, ai eu contava até a música começar a tocar a letra e ia contanto tudinho na cabeça até a música e a dança acabar.

Esse método eu só utilizava quando fazia apresentação individual, eu sempre quis dançar sozinha ahauhaua. Antes de entrar no palco, a professora Lívia sempre ficava atrás de mim pra me da um cutucão no momento que a música começava e o resto do trabalho era tudo comigo!!

Nas danças coletivas era mais fácil, porque ficar olhando os outros fazendo acaba ficando perfeito, e reparar no ritmo que o corpo se movimenta é como escutar a música.

Sabem aquelas pessoas que não tem muito jeito pra dançar, ficam dançando fora do ritmo? Pois éee, é um perigo pra mim, se eu tiver sem aparelho e nem sentir vibração alguma vou jurar que é daquele jeito que se dança hauhauhauhau!

É isso gente, dançar é vida e magia! Passei 4 anos no Studio mas eu larguei porque queria novos horizontes!